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Diálogos Europeus

  Evento passado
5 Novembro 2026 (8:00)

RETOMAR OS LAÇOS

O PROJETO DEMOCRÁTICO EUROPEU PERANTE O DESAFIO DAS NOVAS FRATURAS MUNDIAIS

 

Numa altura em que o mundo se fragmenta e os conflitos se intensificam, em que a ordem internacional construída após 1945 é ameaçada pela promoção da lei do mais forte e da predação, a Europa enfrenta o desafio de defender e renovar o seu projeto democrático, garante da paz no continente. Em que medida o regresso da guerra, na Europa e além-fronteiras, perturba o funcionamento das democracias europeias? Como compreender esta conflitualidade multifacetada que fragiliza os nossos Estados e sociedades e promove modelos alternativos à democracia? Durante dois dias, especialistas, artistas, responsáveis públicos, estudantes e membros da sociedade civil questionam a forma como, na Europa, se pode aprofundar o projeto democrático, adaptando-o a este novo contexto, para continuar a construir a sociedade.

 

03 DEZ – O QUE NOS UNE: O DESAFIO DEMOCRÁTICO EUROPEU

 

14h – Sessão de abertura

Com Margarida Davim, jornalista e moderadora principal do evento.

 

14:30–15:30 | Mesa-redonda «A Europa, democracias nascidas da guerra: o que nos diz a nossa história?»

A invasão da Ucrânia pela Rússia voltou a colocar a questão das memórias e da sua instrumentalização no centro dos debates sobre a nossa história comum: que memórias são mobilizadas hoje e como influenciam a nossa forma de compreender a guerra, a paz, a democracia e o projeto europeu? Partindo das experiências singulares de Portugal, França e, num sentido mais amplo, da Europa do Sul, esta mesa-redonda pretende questionar os legados das guerras e das transições democráticas, bem como as diferenças e tensões que atravessam as memórias europeias.

Isabel Estrada Carvalhais (professora associada de Ciência Política na Universidade do Minho, antiga deputada ao Parlamento Europeu, Portugal), Christian Kuchler (professor de Didática da História na Universidade de Augsburgo, Alemanha) e estudantes da Universidade de Reims (França) e da Escola Superior de Comunicação Social (Portugal).

Moderação:Laurent Marchand (jornalista, editor-chefe para os assuntos europeus e internacionais no Ouest-France, França).

 

16:00–17:00 | Mesa-redonda «As sociedades europeias sob tensão: a democracia perante a brutalização?»

Entre a crescente polarização, a ascensão dos radicalismos e a banalização dos discursos violentos, as sociedades europeias são atravessadas por profundas tensões sociais, económicas e políticas. Perante esta brutalização das sociedades, num contexto de instrumentalização generalizada e multifacetada da violência (terrorismo, narcotráfico, sabotagem…), será que as democracias europeias dispõem dos recursos institucionais e políticos necessários para responder a estes desafios?

Guillaume Soto-Mayor (especialista em questões de segurança e defesa no CNAM, França), um/a especialista português/a, um/a estudante da Universidade de Reims (França) e um/a estudante da Universidade do Minho (Portugal).

Moderação:Laurent Marchand (jornalista, editor-chefe para os assuntos europeus e internacionais no Ouest-France, França).

 

17:30–18:30 | Conversa «Face à guerra: quais as escolhas de defesa para as nossas democracias europeias?»

O regresso da guerra ao continente europeu obriga as democracias a repensar as suas opções de defesa. Ameaças cibernéticas, dissuasão nuclear, proteção de infraestruturas críticas: como podem os Estados europeus adaptar as suas capacidades militares e reforçar a sua resiliência perante conflitos que ultrapassam a dimensão estritamente militar? Num contexto em que os regimes autoritários recorrem à desinformação, às ingerências e a estratégias de guerra híbrida para desestabilizar os seus adversários, que escolhas devem os países europeus fazer para garantir a sua segurança sem renunciar aos seus valores democráticos?

Bruno Cardoso Reis (antigo secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional, Portugal) e Héloïse Fayet (responsável pelo programa de investigação «Dissuasão e Proliferação» do Institut français des relations internationales — IFRI, França).

Moderação:João Pinto (investigador em Ciência Política na Universidade do Minho, Portugal).

 

19:00–19:35 | Conferência plenária de abertura

[Orador/a principal a confirmar]

 

4 DEZ – RETOMAR OS LAÇOS NO ESPAÇO PÚBLICO

 

11:00–12:15 | Mesa-redonda «Terão os nossos imaginários tornado-se o último campo de batalha?»

As guerras de hoje também se travam sem armas. Das redes sociais à inteligência artificial, das campanhas de influência às estratégias de desinformação, a batalha trava-se também nas nossas mentes: naquilo em que acreditamos, naquilo que partilhamos e naquilo que julgamos verdadeiro. Face a tecnologias capazes de produzir e difundir narrativas a uma velocidade sem precedentes, como podemos preservar um espaço público assente nos factos, no pluralismo e no debate de ideias? E o que acontece à democracia quando a confiança na informação se deteriora?

Após uma intervenção inicial de Joana Gonçalves de Sá (investigadora no Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas — LIP, Portugal), a mesa-redonda reúne Vincent Berthier (responsável pelo departamento de Tecnologia e Jornalismo dos Reporters sans frontières, França), Ramón Salaverría (professor de Jornalismo na Universidade de Navarra, membro da Academia Europaea e responsável pela plataforma IBERIFIER, Espanha), Ayşegül Sert (jornalista internacional, França/Turquia) e Julia Smirnova (investigadora sénior no CeMAS, especialista em autoritarismo e desinformação digital, Alemanha)

Moderação:Thomas Cabral (jornalista, correspondente da Agence France-Presse — AFP em Portugal)

 

4 DEZ – O QUE NOS LIGA: AS NOSSAS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS

 

14:00–15:15 | Mesa-redonda «Contar e viver a Europa: a cultura no centro do exercício democrático?»

Como podem as instituições culturais e os artistas continuar a criar espaços comuns, mesmo em torno de temas tão sensíveis como o passado colonial ou as migrações? Como podem os espaços culturais abordar a memória, refletir sobre o futuro e proporcionar novos espaços de expressão? De que forma pode a cultura manter vivo o debate democrático? Três perspetivas complementares, a partir de Bruxelas, Paris e Lisboa, sobre o papel da cultura no exercício concreto da democracia: a de um importante centro europeu de artes e debate de ideias, o Bozar, em Bruxelas; a de uma instituição dedicada à história da imigração e do passado colonial, o Palais de la Porte Dorée, em Paris; e a de uma antiga responsável pelas políticas culturais portuguesas.

Com Constance Rivière (diretora do Musée national de l’histoire de l’immigration — Palais de la Porte Dorée, Paris), Christophe Slagmuylder (diretor do Bozar, Bruxelas, Bélgica) e Catarina Vaz Pinto (antiga secretária de Estado da Cultura, Portugal)

Moderação:Cláudia Galhós, jornalista e especialista em artes performativas, curadora da bienal BoCA

 

15:45–16:15 | Grande conversa com Joëlle Zask, filósofa: «A confiança social, uma emoção democrática»

Especialista no pensamento de John Dewey, a filósofa Joëlle Zask interessa-se pelas condições necessárias a uma cultura democrática partilhada, em áreas tão diversas como a educação, a agricultura, a economia, a arte ou a ecologia. No centro do seu trabalho está a questão da confiança e do seu papel na experiência democrática.

Moderação:Liliana Coutinho, curadora e programadora conferências e debates Culturgest, Portugal

 

16:15–17:15 | Mesa-redonda «Criar laços para reavivar as nossas democracias»

Num mundo em que a desconfiança põe em causa a nossa capacidade de viver em conjunto, a sociedade civil organiza-se para criar novos espaços de encontro e expressão e desenvolver novas formas de debate. Estas iniciativas são impulsionadas por figuras do ativismo que emergem por toda a Europa. Que olhar têm estes ativistas sobre o estado das nossas sociedades à escala local? Que meios podem ser mobilizados para fazer surgir novas propostas e reatar os laços no seio das nossas sociedades?

Com Roberto Falanga (investigador no ICS da Universidade de Lisboa, especialista em participação cívica e inovação democrática local, Portugal), Mariana Gomes (jurista e ativista climática, fundadora da Último Recurso, primeira ONG portuguesa dedicada ao contencioso climático, Portugal) e Lumir Lapray (ativista rural e autora, cujo trabalho se centra nas fraturas territoriais e na renovação do envolvimento cívico, França)

A mesa-redonda será introduzida por um/a estudante da Universidade Paris 8

Moderação:Luísa Meireles, jornalista e presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), Portugal

 

17:15–17:45 | Sessão de encerramento

 

18:30 | Abertura da Noite das Ideias