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Presença francesa no INDEX

De 8 a 16 Maio 2026

No âmbito da Bienal Index, organizada em Braga, vários artistas e pensadores franceses participarão num programa de conferências e debates dedicado às relações entre arte, tecnologia e política.

No dia 8 de maio de 2026, uma conferência intitulada «Zonas liminares» reunirá a curadora e investigadora Margarida Mendes e o coreógrafo Arkadi Zaides. No dia 16 de maio de 2026, o filósofo e ensaísta Yves Citton intervirá numa conversa com Liliana Coutinho, responsável pelo debate de ideias na Culturgest, em torno das relações entre média, tecnologias e política. Além disso, o artista francês Nicolas Maigret participará igualmente numa mesa-redonda.

A Bienal será encerrada com um concerto do duo Nídia & Valentina, reunindo a produtora e DJ luso-cabo-verdiana Nídia, figura da cena eletrónica afro-portuguesa, e a baterista e compositora franco-italiana Valentina Magaletti.

 

Arkadi Zaides + Margarida Mendes – Zonas Liminares

08.05.2026 – gnration (blackbox)

A centralidade do tema da imigração, no contexto das narrativas populistas que se têm verificado em toda a Europa, tem levado a uma reconfiguração da importância das fronteiras no discurso político, bem como à utilização de estratégias de dissuasão hostis, alicerçadas em tecnologia de ponta. É disso exemplo o projeto Talos, financiado pela União Europeia, que reforça a vigilância e segurança fronteiriça no contexto europeu recorrendo a robots semi-autónomos.

Será a partir das experiências do coreógrafo, performer e investigador Arkadi Zaides — com o projeto TALOS —, e da investigadora, artista e curadora Margarida Mendes — com o trabalho desenvolvido na floresta de Białowieża, na fronteira entre Polónia e Bielorrúsia — que a realidade destas zonas liminares será alvo de discussão, numa conversa moderada pela curadora e escritora Nora O’ Murchú.

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Arkadi Zaides – TALOS

09.05.2026 – Theatro Circo (Pequeno Auditório)

“TALOS” é o nome de um programa piloto colaborativo, desenvolvido pela União Europeia, que juntou catorze instituições para a conceção de um sistema de vigilância. Desenvolvido entre 2008 e 2013, previa a deslocação de robôs semi-autónomos que pudessem ocupar qualquer espaço comunitário de forma ágil. “TALOS” nunca saiu do papel — foi apenas um teste ao esforço tecnológico dos agentes envolvidos. Desde 2016, o artista Arkadi Zaides junta coreógrafos, dramaturgos e outros artistas para um projeto homónimo que questiona a relação entre movimento, tecnologias de ponta e o futuro das fronteiras geográficas existentes, assente em dinâmicas de ação-reação, limites e transgressão, paralisia e mobilidade.

Este espetáculo acontece no âmbito de Dançar na Primavera, programa apoiado pelo Institut Français.

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Georgina Voss + Nicolas Maigret – Sistemas de Poder

09.05.2026 – gnration (blackbox)

A vida contemporânea assenta num vasto número de sistemas, que garantem serviços, logística, comunicação, trocas comerciais e, no limite, a comodidade de parte da população do planeta. Em “Systems Ultra”, livro publicado em 2024, a artista e escritora britânica Georgina Voss parte da análise dessas infraestruturas para dissecar relações de poder e o papel da tecnologia da definição da nossa realidade. Também Nicolas Maigret, a partir do seu trabalho com o coletivo DISNOVATION.ORG, aborda sistemas de poder a partir das condições energéticas e materiais da vida no antropoceno, investigando a forma como computação, indústria e economia dependem de lógicas extrativistas e recursos finitos. Nesta sessão, moderada pela arquiteta e curadora Mariana Pestana, Maigret e Voss apresentarão as suas linhas de investigação atual no cruzamento entre poder e tecnologia, que serão ponto de partida para uma discussão ampla.

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Yves Citton – Infraestruturas de Poder

16.05.2026 – Muzeu

O professor e filósofo francês Yves Citton tem dedicado a sua carreira a estudar o modo como os Media enformam a nossa realidade. Para o autor, nas sociedades atuais, vivemos numa Mediarquia, onde a capacidade de aferir e atuar sobre o real é mediada por uma dimensão tecnológica, que condiciona o que sentimos, pensamos, expressamos e fazemos. Nesse sentido, introduz a ideia dos media enquanto reconfiguradores da temporalidade em que vivemos e elemento central da definição de relações de poder. No INDEX, Citton apresentará uma comunicação sobre a sua corrente de investigação, tecendo ligações entre poder e tecnologia, e levará a cabo uma conversa com a curadora e investigadora Liliana Coutinho.

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Nídia & Valentina / SUPA

16.05.2026 – gnration (blackbox)

A partir da mescla feliz entre a energia característica da produtora Nídia e o universo inventivo da percussionista Valentina Magaletti nasceu “Estradas” (2024), uma celebração universal de ritmo editada pela londrina Latency. Os encontros das artistas pela “estrada” são uma partilha surpreendente de urgência, que bebe inevitavelmente dos contextos criativos muito diferentes de ambas — Nídia no universo fervilhante da Príncipe Discos e Magaletti na música exploratória, onde encontra colaborações com Holy Tongue, Moin ou CZN. “Estradas” (2024) é feito de síncopes hipnóticas, linhas de marimba incandescentes, guinadas rítmicas e uma inventividade saudável nos arranjos harmónicos, em temas para o corpo e para a memória.

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