Livros – Estreias do mês de junho de 2026

Por Vezes é Preciso Trair de Kamel Daoud
Por vezes É Preciso Trair, de Kamel Daoud, é o potente grito de um ser humano que, nascido argelino e tendo na sua juventude militado no movimento islâmico, é hoje, devido às suas posições anti-identitárias, acusado de «apóstata» e «inimigo do Islão», e objecto de uma fatwa que exige a sua morte. Daoud defende a liberdade, não sente culpa e clama de uma vez por todas pela «superação do dolorismo pós-colonial». Para Daoud, existe apenas uma regra: não hesitar em trair o «nós», ter a coragem de romper com o rebanho. Daoud deu esse passo e quer ser universal, mantendo-se árabe e francófono. Hoje, na Argélia, «a identidade árabe» é brandida como uma inquisição que exclui a diversidade e o mundo, e o mesmo se passa em muitas ex-colónias. Para Daoud, que deixou Orão e a Argélia em 2023, «o mar ou o deserto escaldante conferem à história um sentido mais vasto do que o nacionalismo».

Mattéo – Quinta Época de Jean-Pierre Gibrat
Em Alcetia, Espanha, instalado em casa do maior latifundiário da região, Mattéo parece disposto a tudo para libertar Amélie, a quem os nacionalistas haviam capturado. Entretanto, e à medida que a Guerra Civil Espanhola caminha, de forma dramática, para o seu fim, o inimigo ganha terreno, estando cada vez mais próximo da posição ocupada por Mattéo e pelos seus companheiros. Conseguirá Mattéo regressar a Collioure? A que preço?
Orlanda de Jacqueline Harpman
Na gare du Nord, em Paris, Aline Berger aguarda o comboio que a levará de volta a casa, em Bruxelas. Nas mãos, tem um exemplar de Orlando, de Virginia Woolf, e o seu espírito, incapaz de se concentrar na leitura, divaga. Como seria se pudesse habitar o corpo de um homem? E se o corpo desse homem fosse o daquele jovem a umas mesas de distância? Depois de trinta e cinco anos aprisionado, Orlanda, o seu alter ego, liberta-se e instala-se no que antes fora Lucien, alegremente provocando o caos na sua anterior existência e alterando de forma dramática aquelas duas vidas. Distinguido com o Prémio Médicis em 1996 e agora redescoberto, este é um engenhoso romance filosófico que explora o modo como um e outro sexo ocupam o mundo, num sonho andrógino que, depois de Eu Que não Conheci os Homens, confirmou a genialidade de Jacqueline Harpman.

Como pensam os drones. A deteção e identificação de alvos invisíveis de Grégory Delaplace
Num contexto marcado pela crescente centralidade dos drones nos conflitos contemporâneos, os processos através dos quais determinados indivíduos se tornam alvos legítimos permanecem amplamente desconhecidos. A partir de um material excecional, a transcrição integral de uma operação militar conduzida no Afeganistão em 2010, o autor reconstrói minuciosamente as formas de organização social, de perceção e de qualificação que presidem às decisões de matar.

Touradas. Estética versus ética, um diálogo impossível de Nathalie Heinich
Apesar dos prognósticos que anunciavam o seu declínio, a tourada continua a suscitar um forte entusiasmo: os espectadores continuam a afluir às arenas e as audiências testemunham a persistência do apego a esta tradição. Paralelamente, os coletivos e partidos anti-tourada mantêm-se fortemente investidos na sua denúncia, através de manifestações e campanhas no espaço público. As controvérsias e conflitos à volta dessa prática prolongam-se igualmente nos media.



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