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Livros – Estreias do mês de março de 2026

 

Autobiografia de Um Polvo e Outros Relatos de Antecipação de Vinciane Despret

Num mundo futuro, a linguagem, a escrita e a arte não são exclusivamente humanas. Vários relatos de uma comunidade científica imaginária revelam-nos a poesia das aranhas e das suas teias, a arquitectura entre os vombates e os aforismos efémeros de um polvo. Histórias que as espécies contam desde o início dos tempos são debatidas por cientistas internacionais, mensagens da terra, do mar e do ar escutadas finalmente pela humanidade. Sob a égide de Ursula K. Le Guin, os três contos especulativos de AUTOBIOGRAFIA DE UM POLVO (2021), obra poética e invulgar, esbatem fronteiras entre ciência e ficção e questionam a nossa ilusória soberania no planeta.

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Sua Alteza, a Princesa do Lodo de Beatrice Alemagna

Yuki e o irmão estão a caminhar juntos para casa, quando as chaves de Yuki caem por um esgoto destapado. Yuki desce para as recuperar e descobre que, lá em baixo, há alguém à sua espera. A Princesa do Lodo dá-lhe as boas-vindas. Enorme, feita de lama e ramos, a Princesa guia Yuki pelo seu mundo subterrâneo. Juntas atravessam florestas, labirintos e lagos onde se escondem os sentimentos humanos mais difíceis e reprimidos: a solidão, a culpa, a raiva, a indiferença e a tristeza. Para regressar à superfície, Yuki terá de enfrentar os seus medos e, com a ajuda do irmão, aceitar-se a si mesma tal como é.

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Um Chapéu de Leopardo de Anne Serre

Aclamado como o romance mais comovente de Anne Serre até ao momento e uma «obra-prima de simplicidade, emoção e elegância», Um Chapéu de Leopardo é a história de uma intensa amizade entre o Narrador e Fanny, sua amiga de infância, que sofre de doença psíquica. Vivendo sempre entre a esperança e o desespero, Fanny deixa transparecer, de forma intermitente, várias facetas da sua personalidade, como a Fanny divertida que um dia roubou um chapéu de leopardo. Porém, essa faceta permanece quase sempre oculta, revelando sobretudo uma Fanny que carrega o peso insuportável da tristeza.

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Duas Novelas de Emmanuel Bove

Pouco se poderá dizer da obra de Emmanuel Bove sem trair a contenção da sua prosa em gordas frases de merecidos elogios. Mas é possível que estas Duas Novelas façam a síntese do seu universo de fracassos, seres medíocres e de um certo desespero quotidiano. Em O Amor de Pierre Neuhart (1929), um homem de meia-idade e uma jovem aspirante a actriz tentam manter uma relação cheia de falsas expectativas, numa Paris triste e contente: ele procura a vitalidade que o seu emprego e rotina perderam, ela deseja a segurança financeira para iniciar a carreira. Em Um Temperamento de Mulher (1999), a filha de um médico e um ex-combatente traumatizado fogem para longe, segurando um romance frágil: ela vê-se na necessidade de pedir dinheiro ao pai, ele carrega a culpa de um crime. Publicadas pela primeira vez em Portugal, estas duas novelas permitem ao leitor português descobrir um autor maior da literatura francesa do século XX.

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Os Irresponsáveis – Quem Pôs Hitler no Poder? de Johann Chapoutot

A ascensão do nazismo não teve nada de inevitável. Resultou, em vez disso, do desespero dos partidos do extremo-centro, que, devido à sua incompetência, se viram progressivamente afastados do poder e decidiram aliar-se à extrema-direita. — Qualquer semelhança com a atualidade é pura coincidência. Um consórcio liberal-autoritário, formado por solidariedades empresariais, partidos conservadores (nacionalistas e liberais), meios de comunicação e elites administrativas, perde todo o apoio popular: com o avançar das eleições, passa de quase 50% para menos de 10% dos votos e questiona-se sobre como manter o poder sem maioria, sem parlamento, talvez sem democracia. Este extremo-centro considera-se, por natureza, destinado a governar: a sua política é a melhor e em breve dará frutos. Entretanto, é preciso aguentar: recorrendo aos poderes presidenciais, à violação da Constituição e à repressão. Num panorama parlamentar fragmentado em «três blocos», este extremo-centro só vê uma solução: perante uma revolta generalizada, o poder, que não se baseia em nenhuma base eleitoral, decide aliar-se à extrema-direita, com a qual partilha, no fundo, quase tudo.

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Livro
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