Livros – Estreias do mês de maio de 2026

O povo é quem mais ordena de Victor Pereira
Mais do que o derrube de uma ditadura pelo exército, a Revolução dos Cravos desencadeou uma profunda transformação económica, social, cultural e democrática em Portugal. Em 25 de Abril de 1974, jovens oficiais, apoiados por uma grande parte da população, derrubaram o Estado Novo, regime autoritário instaurado por António de Oliveira Salazar em 1933. A queda desta ditadura com mais de quarenta anos precipitou também o fim de um dos principais impérios coloniais europeus. O Povo é Quem mais Ordena aborda não só a dinâmica revolucionária, as tensões entre os partidos políticos e os militares e os receios diplomáticos internacionais que a revolução provocou, mas também os diferentes movimentos sociais que tentaram transformar radicalmente a sociedade portuguesa. Trata-se de uma síntese atualizada sobre o processo revolucionário português, que pensa em conjunto elementos que raramente são analisados de forma integrada.
Mudar: Método de Edouard Louis
Quase uma década depois do seu fulgurante livro de estreia, Para Acabar de Vez com Eddy Bellegueule, Édouard Louis retoma a narrativa da sua odisseia pessoal de sobrevivência e transformação. Determinado a libertar-se a qualquer custo da estreiteza do seu meio, Eddy reinventa-se: instala-se em Paris, aprende uma nova linguagem, novos gestos, novos gostos, metamorfoseia-se em Édouard, o escritor de sucesso internacional. Relato corajoso, de uma lucidez e franqueza assombrosas, Mudar: Método descreve um percurso de ascensão social nos seus mais íntimos e dolorosos detalhes, em que a violência, a exclusão, a homofobia, as diferenças de classe e o sonho convivem com uma nostalgia do passado.
Limbo/Kumina de Victor de Oliveira
Há demasiado tempo paralisado num Limbo, Victor de Oliveira criou um mosaico narrativo que percorre a história íntima de um homem mestiço que nasceu em Moçambique e cresceu em Portugal. Entre a autoficção e a ficção social, em diálogo com o pai e com o passado, questiona as razões do negacionismo histórico, as disputas da memória colectiva, as experiências de crescer na indefinição. Kumina é uma reflexão sobre o desenraizamento e a relação complexa entre os continentes africano e europeu. Puxando o fio da infância e, de novo, da autoficção, Victor de Oliveira fala de exílio, colonização, desalento e repetições da história, ao mesmo tempo que, numa cronologia íntima, liga o tráfico transatlântico à tragédia mais recente dos naufrágios no Mar Mediterrâneo.
Diabos e santos de Jean-Baptiste Andrea
Enquanto o mundo celebra a chegada do homem à Lua, a vida de Joseph desmorona-se: perde os pais e a irmã num acidente de avião e é enviado para um orfanato religioso nos Pirenéus, chamado Os Confins. O nome diz tudo – para lá dos Confins, já não há nada. É aí que cresce, entre maus-tratos e humilhações, num lugar onde se cruzam diabos e santos. Joseph forma com outros órfãos uma amizade unida pela necessidade de sobreviver. Um dia, um piano leva-o ao encontro improvável com Rose. A sua vida passa então a alimentar-se de um sonho maior: fugir e recomeçar, longe dali. Anos mais tarde, os seus dedos ágeis correm pelo teclado de pianos em estações e aeroportos. Joseph toca Beethoven de forma sublime para viajantes quase sempre indiferentes. Aos poucos que param para o ouvir, conta a sua história: a perda precoce, o orfanato, a crueldade do abade, uma estranha sociedade secreta que o ajudou a sobreviver. E, enquanto toca, Joseph espera. Por alguém. Por algo que lhe foi prometido.
Discurso sobre a Servidão Voluntária de Étienne de la Boétie
Em 1539, Francisco I de França ordena a extensão de um imposto sobre sal à região de Bordéus. A reação dos habitantes não se fez esperar e, ao longo dos anos seguintes e por toda a região, sublevações populares tentavam fazer reverter a ordem monárquica. Em 1548, a guarda real esmagou com brutalidade inédita esta revolta, numa demonstração de violência que impressionou a elite intelectual da época. Movido por estes acontecimentos, o jovem Étienne de la Boétie reflete, neste importante texto de filosofia política, sobre a tirania enquanto ideia e sistema de poder. Apelo vigoroso à humanidade e ao pensamento crítico de todos os concidadãos, Discurso sobre a Servidão Voluntária denuncia a resignação e a alienação que sustenta a autoridade de poucos, e apela à resistência organizada dos muitos, rumo à liberdade.
O Enraizamento de Simone Weil
O Enraizamento é um ensaio escrito em 1943 e que permaneceu inacabado devido à morte da autora. O seu subtítulo é Prelúdio para Uma Declaração dos Deveres para com o Ser Humano. Simone Weil procura criar as bases de uma doutrina, regressando aos princípios que permitiram às civilizações estabelecerem-se de um modo durável. Nesse ano de 1943, após vinte anos de amadurecimento interior, trata-se para Simone Weil de reatar um pacto que assenta sobre a «exigência do bem absoluto que habita no coração do homem, mas que tem a sua origem numa realidade situada fora do mundo».
Para as gerações futuras de Simone Veil
Para as Gerações Futuras é uma comovente carta deixada aos jovens por Simone Veil, uma das fi guras mais importantes da política europeia e uma das suas grandes consciências. Um texto, até agora inédito, criado com base numa palestra que deu aos seus alunos da Rua d’Ulm, em abril de , e que condensa a lucidez e coragem da sua autora, enquanto mulher e sobrevivente do Holocausto, entre tantos outros aspetos que definiram esta que é uma das personalidades mais relevantes do século xx . Nas suas páginas são evocadas a deportação da sua família, a memória do Holocausto e a urgência da sua transmissão às gerações futuras. A autora reflete sobre o destino das crianças escondidas, a importância da reconciliação e construção europeia e o papel da educação, da juventude e até da ficção na preservação viva das tragédias do passado. Mais do que um testemunho ou manifesto, este livro é um apelo à responsabilidade, à vigilância democrática e à esperança. Uma mensagem clara e humanista que apela às gerações futuras a enorme importância das memórias na construção de um mundo mais justo e unido.

O povo é quem mais ordena de Victor Pereira
Mudar: Método de Edouard Louis
Limbo/Kumina de Victor de Oliveira
Diabos e santos de Jean-Baptiste Andrea
Discurso sobre a Servidão Voluntária de Étienne de la Boétie
O Enraizamento de Simone Weil
Para as gerações futuras de Simone Veil
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