
Anaïs Tondeur e Chloé Azzopardi no Festival Imago Lisboa

A Galeria IMAGO Lisboa apresenta, de 16 de outubro a 14 de novembro de 2026, uma exposição que reúne os trabalhos das artistas Anaïs Tondeur e Chloé Azzopardi, duas práticas artísticas que interrogam as relações entre o ser humano, a tecnologia e o mundo vivo.
Entre fotografia, ecologia e ficção, as obras apresentadas propõem diferentes formas de olhar para os territórios e para as transformações provocadas pela atividade humana, abrindo espaço a outros imaginários e possibilidades de coexistência.
Em Fiori di Fuoco, Anaïs Tondeur desenvolve uma investigação poética sobre plantas ruderais que crescem em solos extremos e contaminados da região de Nápoles, nomeadamente na Terra dos Fogos e na zona vulcânica do Vesúvio. A artista recorre à fitografia, um processo fotográfico que utiliza as próprias plantas e as suas propriedades químicas, criando imagens sem as retirar do seu ambiente.
O projeto estabelece ainda uma correspondência entre a artista, o filósofo Michael Marder e as plantas fotografadas. Através da troca de imagens, palavras e cartas, Tondeur constrói uma espécie de diálogo com formas de vida frequentemente esquecidas, revelando a capacidade de resistência e regeneração dos ecossistemas nas paisagens marcadas pela exploração e pela poluição.
Por sua vez, Chloé Azzopardi apresenta uma série de objetos e dispositivos inspirados na ficção científica, construídos a partir de elementos naturais e materiais rudimentares. Entre o artefacto, a prótese e a invenção futurista, estas obras imaginam formas alternativas de relação entre o corpo humano e o mundo vivo.
A artista questiona assim as ideias de progresso, tecnologia e desenvolvimento, procurando escapar tanto à nostalgia de um simples “regresso à natureza” como à confiança absoluta no solucionismo tecnológico. Os seus objetos propõem, através do jogo e da ficção, outros modos de imaginar o futuro e de enfrentar a crise ecológica.
Reunindo estas duas abordagens, a exposição convida a repensar a nossa relação com os seres vivos, os territórios e os recursos naturais, enquanto procura criar novos imaginários para um mundo em transformação.
Curadoria: Rui Prata

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