Saltar para o conteúdo principal
pt

Homenagem à arquitetura e na programação do IFP

No dia 30 de janeiro de 2024, a Embaixadora de França em Portugal, Hélène Farnaud-Defromont entregou as insígnias de Comandante das Artes e das Letras ao arquiteto português Eduardo Souto de Moura. Esta distinção, a mais alta atribuída pelo Ministério da Cultura francês, foi criada em 1957 para recompensar “personalidades que se tenham distinguido pelas suas criações artísticas ou literárias ou pela contribuição que tenham dado para a influência das artes e das letras em França e no mundo”.

No entanto, Eduardo Souto de Moura gosta de dizer que o arquiteto não é nem um artista, nem sem dúvida um homem de letras, mas antes de mais alguém que responde a uma encomenda e tem de resolver um problema contornando obstáculos contingentes… É este o paradoxo da arquitetura, que reside na tensão entre a arte e a técnica.

A obra de Eduardo Souto de Moura combina habilmente estes dois extremos, o funcional invisível e o espetacular notável. Cada projeto é radicalmente novo, mesmo que se baseie na experiência, porque responde a uma determinada situação. Ele traz soluções concretas a projetos soberbos, ilustrando sempre o seu talento único para a osmose.

Não podemos enumerar todos os prémios que este grande arquiteto recebeu, mas não podemos deixar de mencionar o Prémio Pritzker em 2011, o “Prémio Nobel da Arquitetura”. É o segundo arquiteto português a ganhá-lo, depois de Álvaro Siza Vieira em 1992.

Também não é possível enumerar toda a sua obra. Os seus projetos – mais de mil até à data – têm funções e estéticas muito diferentes: a Casa das Artes no Porto, a transformação do convento de Santa Maria de Bouro em pousada, o metro do Porto, o museu Paula Rego em Cascais, a Torre Burgo e o famoso estádio de Braga, que Jean Nouvel descreve como uma “sinfonia de betão e tons de cinzento”. Em França, concebeu “La Comédie”, o palco nacional de Clermont Ferrand, que integra a antiga estação de autocarros da cidade, utilizando os códigos e materiais originais, bem como betão reciclado.

 

Esta cerimónia de entrega de prémios é o primeiro evento dedicado à arquitetura em 2024. Mas não será o último: este ano, a arquitetura ocupará um lugar central na agenda do Institut français e da Embaixada de França, num contexto de comemorações das lutas sociais, mas também da crise da habitação à escala nacional e internacional.

O Institut français é parceiro do excelente projeto “Clandestin”, concebido por Didier Fiuza Faustino e Marie-Hélène Fabre, e apoiado pela associação Sounds of arquitecture records. A ideia é gravar as vozes dos arquitetos actuais, para que falem em privado sobre o que estão a fazer no espaço público.

Entre março e setembro, os lisboetas terão também a oportunidade de falar sobre a crise da habitação, num evento organizado no âmbito da exposição Habitar Lisboa, atualmente patente na Garagem Sul – CCB, e coordenado pelo Institut français e pelo Goethe Institut com a curadora Julia Albani. O evento centrar-se-á na questão do “comum” na cidade e contará com a participação do filósofo Pierre Dardot e de vários arquitectos e urbanistas franceses e alemães de renome.

Arquitetura